26 de julho de 2011

26 de julho de 2011

#HomofobiaNao: Casal de lésbicas são heroínas na Noruega

Não poderia haver maior ironia: um terrorista auto-declarado cristão, homófobo, explode uma bomba e mata 76 jovens num acampamento político.  Duas heroínas foram destacadas pela imprensa: um casal de lésbicas que ajudou a salvar a vida de cerca de quarenta sobreviventes do ataque de Breivik:

Um casal de lésbicas, que vive numa ilha vizinha daquela em que o atirador norueguês Anders Behring Breivik massacrou dúzias de estudantes na sexta-feira, salvou cerca de quarenta pessoas, resgatando-os em seu barco.
Hege Dalen e sua companheira Toril Hanse fizeram quatro viagens e resgataram em seu pequeno barco jovens baleados, sangrando e feridos.
Elas disseram que ouviram tiros e gritos, correram para prestar socorro.
"Dalen e Hanser conduziram seu barco à ilha, e tiraram da água pessoas que estavam em choque e jovens que estavam baleados e os conduziram à terra firme", diz a mídia local, traduzida por O Fórum do Povo.  "Todos subiram então as balas atingiram o barco.


"Uma vez que elas não conseguiram por todos no barco de uma vez, retornaram à ilha quatro vezes.  Elas podem ter salvado perto de quarenta pessoas das garras do assassino"


Um público estimado em 100 mil pessoas se reuniram ontem em Oslo, capital da Noruega, para relembrar aqueles assassinados, que a polícia local agora confirma que foram 76, revisando a estimativa inicial de 93.


Texto original aqui.

Currículo não é caráter

Ninguém é medido em seu caráter pelo currículo que tem.  Meu caráter não resulta dos nove artigos completos publicados em revistas científicas, nem do capítulo de livro que publiquei ou dos textos em anais e apresentações em congressos.
Minha produção indica outras coisas.  Por exemplo, tive uma publicação em 2004, primeiro ano do mestrado, e três em 2007, quando já tinha terminado o mestrado.  Nesse intervalo, nenhum texto publicado.  No anos seguintes, uma publicação por ano, até voltar a publicar três artigos em 2010.  Foram nove artigos em sete anos de pesquisa.  Terei 21 artigos aos 27.  Se eu quiser ser um pesquisador relevante, tenho de melhor meus índices.
No entanto, esses números revelam momentos de minha caminhada acadêmica e profissional.  Desde 2006, divido meu tempo entre pesquisa e trabalho.  Resta, por isso, pouco tempo para enviar material a revistas.  Nada disso se refere a caráter.
Mas tem uma coisa que tem a ver com caráter.  Cinco dos meus nove artigos publicados e três dos treze textos que publiquei em anais de congresso (os únicos com co-autoria) foram feitos em parceria com meu orientador, Adriano Gomes.  Provo meu caráter em reconhecer a importância e amizade dele em minha vida como pesquisador.  Não serei honesto nem íntegro se um dia provocar uma ruptura com ele e sair expondo-o diante da comunidade científica e acadêmica.
Currículo não traduz o caráter, mas há alguns elementos no currículo que nos falam de caráter.
Não tenho intimidade com nenhum dos pesquisadores que estiveram envolvidos na celeuma publicada pela Folha de S. Paulo sobre o IINN.  Nem mesmo com Miguel Nicolelis.  Portanto, o que vou dizer aqui aponta algumas possibilidades e indícios - não é nenhuma afirmação peremptória, mas fui olhar os currículos de Nicolelis e Sidarta Ribeiro.
O Lattes de Nicolelis foi atualizado pela última vez em janeiro de 2010.  Lá constam 146 artigos completos publicados em periódicos.  São oito livros publicados ou organizados, dezenove capítulos de livros publicados e 108 textos publicados em anais de congressos.
Sidarta publicou quatro artigos em 2010.  Em 2009, último registro de atualização do Lattes de Nicolelis, ele publicou quinze artigos.
Sidarta tem 30 artigos publicados em periódicos, dois livros publicados ou organizados, oito capítulos em livros e dois textos publicados em anais de eventos.  O tamanho dos currículos não significa nada em termos de caráter.  O detalhe é que dos 30 artigos, treze foram escritos em co-autoria com Nicolelis.  E dos oito capítulos, três foram em co-autoria com Nicolelis.  Assim como minha vida acadêmica caminha intimamente ao lado da de meu orientador, a de Sidarta se construiu lado a lado com Nicolelis.
Currículo não é caráter, mas pode significar muita coisa a seu respeito.  Por isso, Miguel me disse hoje que ainda há de conversar com Sidarta sobre esses últimos acontecimentos.

Coletiva da reitora sobre a matéria da Folha

Vi há pouco, na tevê, trechos da entrevista coletiva da reitora da UFRN, Ângela Paiva, sobre a matéria da Folha a respeito do rompimento entre Sidarta Ribeiro e Miguel Nicolelis no IINN.
Ângela reforçou alguns posicionamentos dados na nota oficial que publicou a respeito.  Ou seja, enfatizou que não houve crise institucional e confirmou algo que o próprio Miguel Nicolelis havia me dito mais cedo: o acordo entre UFRN e IINN para retirada e cessão à Universidade de equipamentos que não estavam sendo utilizados no Instituto a fim de serem utilizados no Centro do Cérebro que será dirigido por Sidarta.
O problema, segundo a reitora, não é institucional mas é uma questão de desentendimento entre dois cientistas.  Miguel me disse que ainda haverá de ajustar, numa conversa, essa relação com Sidarta - que partilhou com ele a ideia de criar o IINN.  Metade da produção científica do biólogo está relacionada à experiência de pesquisa ao lado de Miguel Nicolelis.

Reitora da UFRN se pronuncia sobre IINN

Com textos do No Minuto e do Blog do Nassif:


A reitora da UFRN, Ângela Paiva Cruz, afirmou, em nota, que não há nenhum conflito entre a instituição e o IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra), fundado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.  O próprio Nicolelis já havia me confirmado isso em conversa mais cedo. 

Ângela Paiva reiterou que continua com a interlocução permanente para dar continuidade a essa parceria, com a conclusão do Campus do Cérebro, nesta área estratégica para o desenvolvimento da ciência brasileira.

Em relação à suposta determinação da reitora para que Miguel Nicolelis devolvesse os equipamentos que estavam no IINN, o superintendente de Comunicação da UFRN, José Zilmar, explicou ao Portal No Minuto que, como o material pertence à universidade, a devolução estava acordada com o neurocientista e, portanto, não houve nenhum problema sobre esse assunto.

Nicolelis voltou a falar sobre o assunto no twitter:


Além da reitora, a própria Associação Alberto Santos-Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP), mantenedora do IINN, divulgou nota nesta tarde sobre o assunto

Leia a seguir a íntegra das notas:
NOTA DE ESCLARECIMENTO DA UFRN

A UFRN reafirma o seu compromisso de manter a parceria com o INN-ELS/AASDAP iniciada há oito anos e esclarece que não existe nenhum conflito institucional, senão algumas divergências pessoais de pesquisadores, antes colaboradores do INN-ELS/AASDAP. A REITORIA DA UFRN continua com a interlocução permanente para dar continuidade a essa parceria, com a conclusão do CAMPUS DO CÉREBRO, nesta área estratégica para o desenvolvimento da ciência brasileira. A REITORIA confia na superação de eventuais divergências e na construção do entendimento necessário à consolidação desse projeto institucional.


Natal, 26 de julho de 2011.


ÂNGELA PAIVA CRUZ


REITORA DA UFRN


NOTA DE ESCLARECIMENTO DA AASDAP

A Associação Alberto Santos-Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP), gestora do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) continuam trabalhando em conjunto, visando concretizar o plano de criação do Campus do Cérebro em Macaíba. Ambas as partes não só mantém a parceria, como pretendem ampliá-la. O fato de haver ajustes administrativos não significa cisão.

Em relação ao grupo de pesquisadores da UFRN que está encerrando sua colaboração com os Centros de Pesquisa da AASDAP, nada impede que trabalhemos juntos no futuro.

A missão do IINN-ELS, de usar a ciência como agente de transformação social do nosso país, continua sendo cumprida, como atestam os mais de 1000 jovens atendidos em seus dois Centros de Educação Científica e os 12000 atendimentos anuais do Centro de Saúde Anita Garibaldi.

Os pesquisadores da equipe do IINN-ELS e seus colaboradores no Brasil, Estados Unidos e Europa mantém o cumprimento de sua missão científica.

São Paulo, 26 de julho de 2011
AASDAP

A presidente e o neurocientista (@miguelnicolelis)

Por Ateneia Feijó
O que Dilma Rousseff tem a ver com o último retorno do Atlantis ao nosso planeta na madrugada de quinta-feira passada, dia 21, na Flórida? Ou melhor, com a Nasa; que desistiu de continuar a investir em ônibus espaciais?
Aparentemente, uma boa sacada. Com a notícia de que quatro mil engenheiros da Nasa ficaram desempregados, Dilma pretende aproveitar a oportunidade (sem prejudicar nossos professores) para lhes oferecer contratos temporários de cinco anos, renováveis por mais cinco, para que ensinem em nossas universidades. Já sugeriu isso ao ministro da Educação Fernando Haddad.
De onde veio seu interesse por cérebros disponíveis nos Estados Unidos? De uma conversa com um gênio brasileiro: o neurocientista Miguel Nicolelis, pioneiro no campo da neuroprótese e considerado um dos 20 cientistas mais importantes do mundo.
No seu laboratório, na Duke University, um macaco aprendeu a transmitir pela internet os sinais cerebrais para controlar os movimentos de um robô no Japão. Lembra? Nicolelis e sua equipe demonstraram ser possível a ligação do tecido cerebral vivo a várias ferramentas artificiais; um projeto capaz de criar um traje robótico restaurador da mobilidade de pessoas com paralisia corporal.
O neurocientista acredita que nas próximas décadas os humanos poderão estar em vários ambientes remotos, "por meio de avatares e ferramentas artificiais controladas apenas pelo pensamento". Não se refere a ficção científica...
Capa da Scientific American Brasil (nas bancas), Nicolelis publicou artigo no qual afirma que provavelmente conseguiremos operar da Terra robôs e naves, de várias formas e tamanhos, enviados para explorar outros planetas e estrelas, usando apenas nossos "dedos mentais".
Conta também o motivo que o forçou a se mudar, em 1989, para os Estados Unidos. Seus artigos científicos não eram levados a sério no Brasil. Recomendavam-lhe retirar todos os trechos de pensamento especulativo sobre "nossa capacidade de fazer a interface entre o cérebro e máquinas".
Hoje, além de professor de neurociência da Duke University, é fundador do Duke's Center for Neuroengineering e do Instituto de Neurociências de Natal.
Dilma + Nicolelis? Ela tem falado em criar 75 mil bolsas de estudo no exterior para graduados, pós-graduados e pós-doutores em Engenharia, Matemática, Biologia, Física, Química e Ciências Médicas nas 30 melhores universidades do mundo. Um ajuste na defasagem interna?
Ateneia Feijó é jornalista

#ForaMicarla e a #NataldasAntigas

Ontem à noite o twitter ficou movimentado com a hashtag #NataldasAntigas.  Durante a maior parte da noite o assunto foi o mais comentado dos Trending Topics Brasil - seguido de perto, é bom que se diga, da #MossorodasAntigas.  No fim da noite e início da manhã outras cidades fizeram seus louvores a suas próprias histórias, como Manaus, João Pessoa e Campina Grande - todas visitando o TTBr.
Lembramos dos filmes assistidos no Rex, Rio Grande ou Nordeste e dos lanches da Casa da Maça e da Lobrás.  Lembramos os tempos em que as barracas de praia de Ponta Negra pareciam uma favela e quando a rua Erivan França era de barro.  Lembramos do jacaré do Aeroporto Augusto Severo e da rabeca de André na sorveteria Tropical.  Lembramos da Flash, Liverpool, Royal Salute.  Lembramos os hotéis Tirol, Residence e Reis Magos.
Eu lembrei de um tempo em que não vivi.  Nunca vivi uma gestão que entusiasmasse todo mundo o tempo todo.  Quando nasci, o prefeito era biônico, Marcos Formiga.  Lembro que havia um projeto educacional que copiava Djalma Maranhão - Em casa também se aprende a ler.  O rabo-de-palha de José Agripino ajudou a incendiar o entusiasmo democrático na eleição de Garibaldi, que derrotou a secretária de Ação Social do governador, Wilma Maia (depois, de Faria).  A eleição de Garibaldi foi uma festa.  Garibaldi não fez uma gestão desastrosa, mas como todos os sucessores, não tinha uma boa política para os servidores (minha família era de servidores), o que, junto à hiperinflação, fez nossa casa viver dificuldades.  Do mesmo modo, a sua sucessora, Wilma, que derrotou Henrique nas eleições de 88.
Evidente que eu lembrei de Aldo Tinoco.  Eleito por Wilma como seu sucessor, Aldo terminou o mandato no PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso.  Natal estava um caos, com toneladas e mais toneladas de lixo acumulado em todas as ruas devido à greve dos garis.  Aldo, dizem as más línguas, bebia em demasia.  Certa vez, pegou um ônibus coletivo e, como o motorista não parou em um ponto para pegar um passageiro, o prefeito se levantou para reclamar.  O motorista repreendeu-o, dizendo que devia estar no palácio do governo trabalhando e não andando naquele ônibus.  Aldo entrou para o anedotário popular como o pior prefeito que a cidade já viu.  Tanto que saiu da vida pública depois disso.
Depois de Aldo, tivemos um mandato e meio de Wilma de Faria e um e meio de Carlos Eduardo Alves.  Wilma foi regular e Carlos foi o melhor prefeito que eu vi em Natal.  Mas nenhum deles pode sufocar minha saudade de uma #NataldasAntigas que eu não vivi.  Falo da gestão popular de Djalma Maranhão.
Surpreendo-me todas as vezes que descubro novos detalhes do governo de Djalma - derrubado pelo golpe de 64, que foi apoiado e festejado pelo governador Aluizio Alves.  A participação popular era intensa, assim como o incentivo à cultura e projetos educacionais revolucionários como o copiado De pé no chão também se aprende a ler, que utilizava os instrumentos pedagógicos de Paulo Freire.  Dá saudades de um tempo não vivido.
Essas saudades aumentam quando eu me deparo com tantos buracos - ou, agora, desníveis - nas ruas da cidade, com a prefeitura mentindo e investindo R$ 250 mil em um show evangélico, com a terceirização da saúde pública, com tantos contratos suspeitos de irregularidade, enfim, com tanto caos e desgoverno como na gestão Micarla de Sousa.
Da #NataldasAntigas tenho saudade do não-vivido tempo de Djalma Maranhão.  Na #NataldoFuturo, certamente, lembraremos do dia em que Aldo Tinoco perdeu o trono de pior prefeito da cidade para Micarla de Sousa.

NORUEGA: Anders Breivik – sem entidade e sem causa

Por Boris Johnson, no THE DAILY TELEGRAPH LONDRES
Podemos ignorar a sua ideologia pueril. Anders Breivik só estava interessado em si próprio, escreve Boris Johnson.
Não basta dizer que ele é louco. Anders Breivik é evidentemente louco: ninguém no seu juízo perfeito teria feito o que ele fez. Também não basta dizer que ele é o demónio. Se a palavra demónio tem algum significado, então, é óbvio que se aplica a um homem que vai a uma ilha de um lago onde há um campo de férias, pede aos jovens que aí estão que corram na sua direção e mata 85 com uma espingarda automática.
Nunca ficaremos satisfeitos com palavras simples como “louco” ou “demónio”, e nos dias e semanas que aí vêm podemos esperar imensas psicanálises sobre este triste e arrogante psicopata de 32 anos. Vamos convocar e entrevistar todos os diabos da sua mente. Com a ajuda dos investigadores noruegueses, vamos tentar perceber como é que esses demónios o convenceram a agir de forma tão premeditadamente cruel; e como guia vamos usar o manifesto de mil e quinhentas páginas de ódio que ele (e possivelmente os seus cúmplices) pôs na internet.
É, em muitos aspetos, um documento absurdo, com um plano para fazer ressuscitar a antiga ordem dos Cavaleiros Templários, com Breivik como “Cavaleiro Justiceiro”. A ideia era mobilizar um exército de loucos como ele para libertar a Europa de imigrantes até 2083. Nessa data, passarão 200 anos sobre a morte de Karl Marx, a quem Breivik culpa pelo igualitarismo, o feminismo, o multiculturalismo e por mais uma data de coisas que ele detesta. A tentativa de Mein Kampf de Breivik está pejada de reflexões de adolescente, a partir da Wikipedia, sobre Gramsci, Adorno e o Islão, e confesso que não li tudo até ao fim.
Mas li o suficiente para perceber a essência – e há qualquer coisa de curioso e preocupante nas suas obsessões. Está sempre a falar da EUSSR e na “Eurabia”. Ataca o multiculturalismo como a “grande mentira”, e afirma que “agora, o politicamente correto paira sobre a sociedade da Europa ocidental como um colosso”. “A União Europeia pode ser reformada?”, pergunta ele. “Duvido. A UE está arquitetada por uma classe de burocratas que se serve a si própria, que quer alargar os seus orçamentos e poder, apesar dos danos que causam.” Afirma que a Europa tem sido sistematicamente traída pela imigração em massa de países muçulmanos e que o método desta imigração tem sido ocultado ao eleitorado. Cita vários dos mais importantes comentadores britânicos em apoio das suas próprias opiniões. De facto, é fascinante ver como está enraizado neste extremista norueguês o discurso político da angloesfera.
Meus amigos, não há uma maneira suave para dizer isto: muito do que este demónio louco diz pode ser tirado dos comentários e dos blogues que encontramos nos media, especialmente nos media “conservadores”, da Grã-Bretanha.  (grifos do Maria Frô) Há quem leia as suas tristes declarações e conclua que foram as suas ideias inflamadas que o guiaram. Dirão que os seus atos bárbaros foram estimulados pela fúria contra a EUSSR e a imigração, tal como as mortes do 11 de setembro foram provocadas pelos dogmas do extremismo islâmico.
A verdade é que ele tem muito em comum com os bombistas suicidas islâmicos. Sente-se incomodado pela emancipação feminina e pensa que as mulheres estão melhor em casa. Parece detestar a homossexualidade. E, acima de tudo – e nisto, assemelha-se muito a um muçulmano – acredita que os seus próprios líderes religiosos são profundamente decadentes e se desviaram da ortodoxia. Repele, como muitos dos terroristas muçulmanos, tudo o que se pareça com uma mistura de culturas.
Dirão que estamos, de facto, a olhar para uma imagem no espelho de um terrorista islâmico – um homem guiado por uma idêntica mas oposta ideologia maníaca. Há aqui, sem dúvida, uma simetria e, em ambos os casos, tanto no de Breivik como no do bombista muçulmano, não creio que a ideologia seja verdadeiramente o cerne da questão. Ontem, as televisões encontraram alguém, da Noruega, que o conhecia, um homem chamado Ulav Andersson, que diz ter conhecido Breivik muito bem. Mostrou-se surpreendido com a história dos Cavaleiros Templários, porque nunca soube que Breivik fosse religioso e também nunca lhe pareceu que se interessava por política.
“Não parecia sequer ter opiniões”, disse. “Tornou-se irritável quando uma rapariga de quem ele gostava o trocou por um homem de origem paquistanesa”, conta Ulav Andersson.
Não tem nada a ver com imigração, ou Eurabia, ou com o Hadith, ou com a conspiração dos eurocratas contra o povo. Não tem nada a ver com ideologia ou religião. Tem tudo a ver com ele e com o seu sentimento de inadequação em relação ao sexo feminino. O mesmo se pode dizer (e tem sido dito) sobre muitos dos jovens terroristas muçulmanos. A razão fundamental para um comportamento tão insensível está profundamente enraizada no seu próprio sentimento de rejeição e alienação. É a ideologia que lhes dá a causa ostensiva, que lhes potencia o veneno no sangue, que lhes dá a desculpa para dramatizarem o ressentimento que sentem de forma poderosa e para matarem.
No entanto, no caso de Anders Breivik há uma importante lição a tirar. Ele matou em nome do Cristianismo e, evidentemente, não culpamos os cristãos ou a “Cristandade”. Pelos mesmos padrões, não devíamos culpar o “Islão” por todos os atos de terror pelos jovens muçulmanos. Há jovens patéticos que têm um tal sentimento de impotência e rejeição que decidem vingar-se horrivelmente contra o mundo. Há pessoas que se sentem tão fracas que precisam de matar para se sentirem fortes. Não precisam de uma ideologia para agirem como agem.
Michael Ryan não tinha ideologia, em Hungerford; Thomas Hamilton não tinha ideologia em Dunblane. Tentar avançar qualquer outra explicação para os seus atos – avançar complicados fatores “sociais” ou examinar o impacto do multiculturalismo na Escandinávia – é simplesmente entrar no jogo que para eles é muito importante.
Anders Breivik pode ter criado um impressionante manifesto de mil e quinhentas páginas mas, como muitos outros do seu género, é essencialmente um narcisista e um egocêntrico que não consegue lidar com a rejeição. Devíamos gastar menos tempo a pensar nele e mais a pensar nas vítimas e nas suas famílias.

@MiguelNicolelis fala sobre matéria da Folha

Há pouco mais de uma hora, neurocientista Miguel Nicolelis, através de seu perfil no twitter, deixou alguns comentários sobre a notícia da Folha de S.Paulo, que publicamos mais cedo aqui, dando conta da separação entre o grupo de cientistas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal e o grupo da UFRN.









Conversei com Miguel.  Ele me garantiu que nada muda em relação ao funcionamento do IINN e que deve dar uma entrevista esta semana.  Além disso, Nicolelis recebeu apoio da reitora Ângela Paiva que deve, ainda hoje, divulgar uma nota pública sobre o tema.  Miguel disse que a resposta que ele pode dar à polêmica é mostrar sua produção científica e a luta desenvolvida em Natal, em prol do Instituto e do desenvolvimento social e educacional das crianças atendidas no projeto.
É minha opinião que o fato de procurar a Folha de S. Paulo tende a mostrar que os pesquisadores que saem, liderados por Sidartha Ribeiro e Sérgio Neuenschwander, procuram holofotes.  
Avalio, pessoalmente, que há um conflito relacionado à dificuldade de se adaptar de alguns às regras rígidas de um contrato de parceria público-privada que tem restrições de acesso, de disponibilidade e relativas a sigilo e cláusulas de confidencialidade.  Quem trabalha em áreas de pesquisa estratégica deve entender que as regras devem ser tão rígidas quanto o potencial de perdas provocado por vazamentos.

Kassab e o “alto astral” dos moradores de rua

“O astral dos moradores de rua está muito bom, acho que é porque o frio deu uma trégua hoje.” A sentença é do prefeito Gilberto Kassab, dita em visita a um albergue no Brás, na noite de ontem, na região central da cidade de São Paulo
Ficar em silêncio quando não há nada de útil para se dizer é um dom que poucos políticos têm. O nosso prefeito, por exemplo, já provou em mais de uma ocasião que não está entre os agraciados (lembram-se quando expulsou aos berros de “vagabundo” um cidadão que protestava em um posto de saúde no bairro de Pirituba?).
A assessoria justificou que ele estava se referindo ao astral super tchap-tchura que sentiu no albergue e não na rua. Ah, tá! Aí, tudo bem! Afinal de contas, um albergue – como todos sabemos – é um espécie de clube de inverno onde todos vão felizes se hospedar para desfrutar das nababescas instalações de lazer e recreação (dizem que tem até ofurô!), e não para fugir do frio e do achincalhamento por parte da super bem treinada Guarda Civil Metropolitana ou como consequência da inexistência de uma política séria para habitação.
Faça um teste: deixe o prefeito uma noite em um albergue da capital e pergunte para ele, na manhã seguinte, sobre o “astral” que sentiu ao sonhar com um quarto e uma cama só seus,
A recuperação da área central de São Paulo não se restringe a uma valorização estética das ruas, edifícios e bens culturais, como vem sendo a prioridade do poder público até agora. Inclui também o repovoamento do local, trazendo vida à região, com incentivos para o estabelecimento das classes média e baixa. O que tem sido feito é o contrário: expulsa-se o povão, implanta-se uma arquitetura da exclusão (com formas de afastar essa gente encardida de perto) e ergue-se monumentos à música e às artes. Allegro! Para compensar, um albuergue aqui e acolá a fim de que os rejeitados sejam recolhidos e depositados em algum lugar antes que termine a sessão na Sala São Paulo e as pessoas de bem sejam obrigadas a deglutir cenas incômodas. Presto!
Sabe o motivo do alto astral dos moradores, prefeito? É que pipocam pela cidade prédios fechados com tijolos mostrando que a urbe considera mais importante alimentar a especulação imobiliária do que permitir que os sem-teto que rondam por perto possam se proteger do tempo em uma lar. O déficit qualitativo e quantitativo de habitação poderia ser drasticamente reduzido se esses imóveis trancados pudessem ser desapropriados e destinados gratuitamente para quem precisa. Há prédios que devem milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e poderiam ser alvo do Decreto de Interesse Social, uma vez que permanecem vagos por anos. Mas aí mexe com gente economicamente poderosa, né?
Outro motivo para celebrar com o prefeito? Vamos lá: na cidade de São Paulo, o pessoal que não se enquadra nos albergues pode ser vitima do preconceito e da intolerância. Chacinas envolvendo a população de rua ficaram conhecidas por aqui. Em maio do ano passado, cinco foram assassinados no bairro do Jaçanã, periferia de São Paulo. Dormiam embaixo de um viaduto. Em agosto de 2004, sete outros foram mortos, na maior chacina contra o povo de rua na cidade. As investigações apontaram para policiais militares.
Em uma sociedade que impõe à população de rua a pecha de vagabundos, ladrões, traficantes, de ameaças à saúde pública, não é de se estranhar que a pressão pela resolução de crimes como esses ou mesmo do seu problema de moraria não esteja entre as nossas principais pautas. Tentar entender a realidade do outro? Nem pensar! Quem é diferente que se mude. Ou vá para um albuergue.
Seja pela falta de políticas públicas que lhes garantam dignidade, seja pela bala e, agora, pela ironia no Twitter, parece que estamos tentando tornar sua existência insuportável. Resolvemos o nosso problema acabando com o outro. A faxina social vai ocorrendo, dessa forma, a conta-gotas, pelas mãos do Estado ou de agentes privados. Talvez para não melindrar o cidadãos de bem, que não gostam de mendigos por aí, têm horror a cenas de violência e querem a vida em alto astral.

#ForaMicarla: Prefeitura gasta R$ 250 mil com show do Diante do Trono

Do Diário do Tempo, de Sérgio Vilar:

Eu avisei, coloquei aqui minhas suspeitas, procurei fontes, inclusive a líder da banda Diante do Trono. Todos negaram. Mas havia algo por trás. E está aí a confirmação: a prefeitura gastou R$ 250 mil com a gravação do DVD da banda gospel. E pensar nos R$ 180 mil do padre Fábio de Melo… Está tudo publicado no Diário Oficial.
Estava muito na cara o secretário de comunicação participar da coletiva, a prefeitura escancarar aos quatro cantos a alegria da cidade em receber o grupo, além da mega estrutura bancada exclusivamente pela banda. Agora, mais vergonhoso é a vocalista Ana Paula Valadão negar, tacitamente, o acordo com a prefeitura, na entrevista concedida ao DN.
Nem comento a tal “classificação da despesa”: fortalecimento do fluxo turístico. Este blog não se presta a comentar piada. E como se arrisca aqui e acolá na política, opino: “A prefeita quer se safar na tentativa de reeleição com pelo menos 10% de popularidade, se valendo do segmento evangélico. A próxima fortuna deve pagar banda de apologia ao homossexualismo, aposto.
Segue abaixo a publicação no DOM:
PROCESSO Nº: 0029056/2011-19
CONVENENTES: SECRETARIA MUNICIPAL DE TURISMO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E FUNDAÇÃO OÁSIS
ENDEREÇO: R. Angico, 283 – Belo Horizonte – MG
OBJETO: Celebração de convênio visando proporcionar a divulgação turística da Cidade do Natal, por intermédio da divulgação e realização do evento que ocorrerá no dia 16 de Julho de 2011, na Praia do Meio, da banda “Diante do Trono”, conforme Emenda parlamentar N°57.
CLASSIFICAÇÃO DA DESPESA: 23.695.025.2-636 – Fortalecimento do Fluxo Turístico
ELEMENTO DA DESPESA: 3.3.50.39 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica
SUB-ELEMENTO DA DESPESA: 99 – Outros
VALOR: R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) – FONTE 111
FUNDAMENTO LEGAL: LEI 8.666/93 – art. 116
DATA DA ASSINATURA: 11/07/2011
ASSINATURAS:
PRIMEIRA CONVENENTE – TERTULIANO PINHEIRO
SEGUNDA CONVENENTE – RODOLFO LUIZ AQUINO HAUCK

#ForaMicarla: Justiça dá prazo de 120 dias para prefeitura construir lagoa de captação

Do No Minuto:

O juiz da 5ª Vara Fazenda Pública, Airton Pinheiro, determinou à Companhia de Serviços Urbanos de Natal – Urbana - que "interrompa, imediatamente, o despejo de água proveniente das lagoas de captação da estação de transbordo de Cidade Nova nas ruas adjacentes e deu um prazo de 120 dias para a Urbana começar a construção de mais uma lagoa de captação na estação de transbordo, além da instalação de uma cobertura no local do descarrego de caminhões e carregamento de carretas".

A sentença foi proferida em uma ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente e estabelece multa diária no valor de R$ 5.000,00 a ser paga pelo presidente da Urbana em caso de descumprimento da decisão.

Na denúncia apresentada, a Promotoria do Meio Ambiente diz que há o despejo em via pública de água proveniente das lagoas de captação da estação de transbordo de Cidade Nova, apresentando bastante mau cheiro. O MP pediu a liminar no sentido de obrigar a empresa a interromper imediatamente o despejo de água na rua, procedendo ao fechamento das saídas dos extravasores direcionadas à rede pública de drenagem, bem como realizando as demais obras e serviços que possibilitem a infiltração da água no próprio terreno da estação.

No pedido consta ainda que fosse determinada a construção de uma cobertura para a área da Estação de Transbordo, no exato local onde passam aproximadamente 1.200t de lixo domiciliar por dia, através do descarrego de caminhões e carregamento de carretas, para, em caso de chuva, a água não ter contato com esse lixo e não escorre para a rua.

Esse pedido já havia sido acatado pelo juizado especial, mas a Prefeitura de Natal pediu para ser incluída na ação em defesa da Urbana, já que é a acionista majoritária da empresa, o que deslocou o processo para a 5ª Vara da Fazenda Pública, onde o juiz Airton Pinheiro ratificou a decisão anterior do juizado especial.

Grupo de cientistas liderado por Miguel Nicolelis sofre cisão

Está na Folha de S. Paulo de hoje:

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Um casamento que na década passada prometeu revolucionar a ciência brasileira terminou ontem, com um dos cônjuges literalmente pegando suas coisas e se mudando.
Os neurocientistas Sidarta Ribeiro e Miguel Nicolelis, cofundadores do IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra), estão "divorciados".
Na manhã de ontem, Ribeiro saiu do instituto com um caminhão carregado de equipamentos científicos, como centrífugas e computadores.
O material pertence à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e foi requisitado pela reitora, Ângela Paiva Cruz, para suprir o recém-criado Instituto do Cérebro da universidade, liderado por Ribeiro.

DE MUDANÇA
Professores da UFRN que compõem a equipe científica do IINN vão deixar o instituto. Dos dez membros da equipe científica listados no site do instituto (natalneuro.org.br), só Nicolelis e o chileno Romulo Fuentes vão ficar.
Ribeiro pediu à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia) que transfira para a UFRN aparelhos comprados pelo instituto por R$ 6 milhões, como um microscópio caríssimo, encaixotado há seis meses.
Segundo a Folha apurou, a cisão foi causada por divergências sobre a gestão do instituto, nas mãos de Nicolelis.
O professor da Universidade Duke (EUA) preside a Aasdap (Associação Alberto Santos-Dumont), entidade privada que toca o instituto em convênio com a UFRN.
Apesar da parceria, ele teria limitado o acesso de alunos e professores da universidade aos equipamentos do IINN, irritando Ribeiro.
A gota d'água aconteceu em junho, quando Ribeiro, escolhido por Nicolelis para ser o primeiro diretor do IINN, em 2005, foi convidado a desocupar sua sala e a deixar de usar a garagem do instituto.

PATRIMÔNIO
Procurado pela Folha, Ribeiro não quis comentar a briga, mas disse que quer passar todos os equipamentos do IINN bancados com verba pública à gestão pública. "Os pesquisadores da Aasdap poderão ter acesso a tudo."
A reitora Ângela Paiva confirma que mandou retirar os equipamentos, mas nega a ruptura. "Estamos trabalhando com o Miguel Nicolelis para resolver o conflito."
O pesquisador da UFRN Sérgio Neuenschwander, que acaba de voltar ao Brasil para trabalhar no IINN após 23 anos no Instituto Max Planck, na Alemanha, tem uma visão diferente: "O Nicolelis contribuiu imensamente, mas a gestão dele foi muito destrutiva. Não tem volta."
Neuenschwander é um dos proponentes originais do instituto. Em 1995, ele, Ribeiro e Cláudio Mello, hoje na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (EUA), idealizaram uma forma de repatriar neurocientistas brasileiros.
O projeto ganhou forma após Nicolelis assumir sua liderança. Ele bancou a criação da Aasdap com US$ 450 mil do próprio bolso e obteve recursos do Banco Safra estimados em US$ 10 milhões.
A gestão público-privada, modelo usado nos EUA, daria mais agilidade à ciência, dizia Nicolelis.

OUTRO LADO

Diretora nega 'racha' entre os pesquisadores

DO EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Procurado pela Folha, o neurocientista Miguel Nicolelis não respondeu ao pedido para expor sua visão sobre o "divórcio" entre o instituto que coordena e os cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
No entanto, Neiva Paraschiva, diretora-executiva da Aasdap (Associação Alberto Santos-Dumont), órgão presidido por Nicolelis que gere o centro de pesquisas de Natal, nega que haja racha. "Estamos trabalhando para manter e até ampliar a parceria."

REGRAS
Segundo Paraschiva, os pesquisadores da UFRN estavam descontentes com as regras do instituto para uso de equipamentos e acesso de pessoas e pediram a transferência dos aparelhos.
"Tínhamos uma lista de 95 pessoas que podiam frequentar as dependências do instituto e pedíamos que a entrada de pessoas de fora da lista fosse avisada com antecedência", afirma.
Embora concorde que os equipamentos foram obtidos com dinheiro público, ela afirma que "a verba foi conseguida por Nicolelis".
Ela atribui a demora na instalação de aparelhos à complexidade deles e à dificuldade de achar mão de obra qualificada na região de Natal.
Paraschiva diz que substitutos para os especialistas que estão encerrando seu vínculo com o instituto estão sendo buscados. "Mas isso não impede que tenhamos parcerias com os antigos colaboradores no futuro." (RJL)



Noruega: Al-Qaeda cristã

Do Blog Maria Fro:
Por: Pepe Escobar, Asia Times Online, Tradução: Vila Vudu
Progressistas ocidentais devem acender o alerta vermelho. Tabus terão de ser superados – principalmente para que se identifiquem as estratégias misturadas mas quase sempre violentas empregadas pelo fundamentalismo cristão de ultra-direita e pelos sionistas, para fomentar a islamofobia no Ocidente.
Imaginem se Anders Behring Breivik, louro, branco, 32 anos, olhos azuis, 100% norueguês, doido varrido, cristão fundamentalista de direita e fascista, responsável pela explosão em Oslo e pelo assassinato deliberado (= targeted assassinations, diria a CIA) na ilha de Utoya que matou 93 pessoas… fosse imigrante e muçulmano.
Nem é preciso imaginar – porque os círculos concêntricos da indústria ocidental de islamofobia imediatamente atribuíram o massacre na Noruega à “al-Qaeda”. Depois, os fatos impuseram-se.
Mas, esperem… “Targeted assassinations”? Assassinatos deliberados, uma bala milimetricamente em cada cabeça? Ninguém pode duvidar, nem por um instante, que o assassino tenha pensado numa fórmula segundo a qual, se o governo de Barack Obama pode fazer – no Af-Pak, no Iraque, no Iêmen, na Somália, e sempre em nome da civilização ocidental – nada poderia impedir que um escandinavo sarado exercesse idênticos direitos de matar, em sua terra. (grifos do Maria Frô)
As tendências sobrepostas da ideologia da al-Qaeda podem ser examinadas em detalhes, em livros como Al-Qaeda in Its Own Words [Al-Qaeda em suas próprias palavras], editado por Gilles Kepel e Jean-Pierre Milelli, publicado em inglês pela editora da Universidade de Harvard.
Breivik, o solitário, também escreveu seu próprio tratado-manifesto de ódio. São 1.500 páginas[1] e leva o título de 2083: Declaração de Independência Europeia. Aí também detona a democracia, o multiculturalismo e “o marxismo cultural” que estariam, para ele, destruindo a civilização cristã europeia.
Quer dizer, dado que a al-Qaeda – agora sob a liderança ideológica do Dr. Ayman al-Zawahiri –, já está em guerra de jihad defensiva (vez ou outra ofensiva) contra cristãos e judeus, Breivik convoca nada menos que uma jihad cristã para defender a Europa de nova invasão de muçulmanos.
A volta dos cruzados cristãos
O que comprova que Breivik não é doido solitário é que a ideologia que há por trás do manifesto não condena só todo o Islã per se, a imigração de muçulmanos para a Europa e o multiculturalismo, mas também as soluções neonazistas e raciais suprematistas que se usaram contra esses “males”.
Breivik, assassino de massa que adora canções do [festival] Eurovision e o seriado norte-americano The Shield [um esquadrão da morte: policiais que fazem justiça pelas próprias mãos], e que tem porte autorizado de arma para uma Glock, um rifle automático e outra pistola, é típico apóstolo da nova narrativa da ultra-direita paneuropeia mais sofisticada – segundo a qual a batalha pela alma da Europa será disputada no campo da cultura.
Depois de rápida visita à Dinamarca e sul da Suécia no outono de 2010, escrevi sobre essas questões mais amplas (“Letter from Islamophobistan”, Asia Times Online, 22/10/2010, em português:“Carta do Islamofobistão”,].
Breivik dá um passo adiante, porque acrescenta armas ao novo pensamento –, porque não se trata de os muçulmanos serem biologicamente inferiores ao Ocidente cristão; o problema é que os princípios do Islã são absolutamente incompatíveis com o Ocidente.
É questão cultural. “Eles” não partilham “nossos valores” nem nosso modo de vida. Em esperto movimento de ‘marketing’ (ou de “Relações Públicas” como se diz nos EUA), essa explicação culturalista visa a atrair também os moderados europeus.
Breivik e sua gangue culpam a democracia parlamentar ocidental como um todo – aí incluído o ‘politicamente correto’ – por permitir que os muçulmanos estabeleçam-se na Europa como cavalos de Tróia. Tudo e todos são ameaças – a al-Qaeda, tanto quanto a burocrática União Europeia e a ONU multicultural. Breivik e os dele são, todo o tempo, Huntingtonianos – temendo um choque de civilizações bem ali, em casa.
Não surpreende que o passo lógico tenha sido para Breivik tornar-se versão moderna dos Cavaleiros Templários em seu manifesto incongruente – e, assim, cria um caso exemplar. A agenda dos Templários: “tomar o controle político e militar dos países da Europa Ocidental e implementar uma agenda política e cultural conservadora”.
“Al-Qaeda” – ou a nuvem de franquias e simulacros rotulada como “al-Qaeda” – não tem os recursos necessários para atacar a Europa e, além do mais, essa não é sua prioridade”; prioridade é o Af-Pak, a Ásia Central e a Índia, como já declarou Ilyas Kashmiri, principal comandante militar da al-Qaeda. Mas a prioridade do terror fundamentalista cristão é, declaradamente, a Europa. E os ataques virão tanto de loucos solitários, como Breivik, quanto de grupos organizados.
Progressistas ocidentais devem acender o alerta vermelho. Tabus terão de ser superados – principalmente para que se identifiquem as estratégias confusas mas quase sempre violentas empregadas pelo fundamentalismo cristão de ultra-direita e pelos sionistas, para fomentar a islamofobia no Ocidente.
Por exemplo, os islamofóbicos, como os sionistas hardcore veem a opressão dos palestinos como defesa que Israel mobiliza num choque de civilizações. Breivik, discípulo modelo, elogia norte-americanos islamófobos notórios, como Pam Geller e Daniel Pipes, tanto quanto fustiga o apoio da Noruega à independência da Palestina e o reconhecimento como estado soberano.
Breivik escreveu: “É hipocrisia tratar muçulmanos, nazistas e marxistas como se fossem diferentes. Todos apoiam ideologias do ódio. Nem todos os muçulmanos, os nazistas e os marxistas são conservadores. Muitos são moderados. E que diferença faz?”
Não faz diferença: todos os fascistas são sedutores oportunistas. Haverá sangue – muito mais sangue, agora que a Europa terá de enfrentar o coração de suas trevas. Cuidado com o retorno – em massa – do cristão cruzado de olhos azuis.
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Nota
1. Principais excertos retirados Repubblica, Itália, aqui.

Um fantasma na Europa

Por Vladimir Safatle, na Folha de hoje:


Há 60 anos, os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer forneceram uma das mais instigantes leituras do nazismo, do fascismo e de sua lógica de segregação. Consistia em mostrar como estávamos, na verdade, diante de um tipo de patologia social.
Isso não significava dizer que os fascistas seriam "monstros patológicos", "perversos" e coisas do gênero. É alentador acreditar que apenas monstros são capazes de produzir monstruosidades.
Tratava-se, na verdade, de mostrar como o fascismo conseguira se colocar como um modelo de forma de vida. No caso, uma forma de vida constituída através da transformação de comportamentos patológicos em norma social, de temáticas que normalmente aparecem em delírios paranoicos no conteúdo de discursos políticos tacitamente aceitos.
Assim, delírios de perseguição se normalizavam por meio da crença de que um elemento estranho estava infectando a bela totalidade de nosso corpo social. Elemento que destruiria, com o beneplácito de cosmopolitas ingênuos, nosso caráter nacional naquilo que ele teria de mais especial.
Força e disciplina eram convocadas para restaurar esse corpo quase moribundo separado de seu solo, mesmo que tal solo seja hoje uma fazenda de produtos orgânicos.
Por sua vez, delírios de grandeza animavam discursos que pregavam a amplidão redentora da nação. A identidade era, assim, elevada à condição de sistema defensivo ameaçado, e, por isso, compulsivamente afirmado.
Não por acaso, palavras como "limite", "fronteira", "território" tornavam-se os significantes centrais do discurso político. A defesa da identidade se tornava uma patologia.
Lembrar isso, após o massacre em que um norueguês islamófobo, cristão conservador e simpatizante de partidos de extrema-direita matou dezenas de jovens do Partido Trabalhista, é só uma forma de insistir como alguns não aprendem nada com a história.
Tal como o direitista americano que, meses atrás, atirou contra uma deputada democrata em Tucson contrária a leis mais duras contra a imigração, o que temos aqui é simplesmente alguém que quer realizar tal forma de vida fascista com as próprias mãos.
Eles não querem esperar os partidos xenófobos ganharem para "eliminar" os imigrantes. Preferem passar ao ato, literalizando o discurso que ouvem todos os dias.
De nada adianta lembrar que estudos recentes da OCDE mostram que os imigrantes contribuem mais para a seguridade social do que usam tais serviços, ou seja, geram mais riquezas do que consomem.
De nada adianta lembrar isso, porque não estamos no domínio do argumento, mas no dos afetos patológicos cada vez mais naturalizados como discurso no jogo político.

A campanha de 2010 na Internet e seus efeitos sobre os eleitores

O Estadão publica hoje uma análise do processo eleitoral de 2010 mostrando o desempenho dos principais candidatos entre eleitores conectados - em comparação com o desempenho geral.  O estudo, elaborado pelos pesquisadores João Francisco Resende, do Ibope Inteligência, e Juliana Sawaia Cassiano Chagas, do Ibope Mídia, cruzou dados das pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto entre 30 de junho e 30 de outubro de 2010.


Evidente que as conclusões, que você pode ler aqui, são bem superciais - ao menos no resumo apresentado pelo jornal.  Uma coisa, para mim, chamou atenção no gráfico:




Perceba que em 13 de outubro Serra superou Dilma entre os eleitores com Internet.  Nesse ponto o resumo apresentado pelo jornal está correto: a onda de boataria que atingiu a candidatura de Dilma fez efeito e  impactou o seu desempenho.  A coordenação de campanha da petista demorou muito tempo para prestar atenção no que estava acontecendo no subterrâneo da Internet.  
Na semana da eleição no primeiro turno, Dilma superava Serra por 7 pontos entre os conectados na pesquisa Ibope.  O vazamento de eleitores de Dilma prosseguiu ainda na primeira semana do segundo turbo, até que no dia 13, o tucano ultrapassou a petista.
Isso foi claramente sentido por quem fez a campanha no ano passado.  Foi a hora em que a militância voltou às ruas e surgiu no campo virtual - em especial os religiosos do lado do campo progressista, que organizaram manifestos, respostas e comitê de católicos e evangélicos apoiadores da candidata.
Mas à queda vertiginosa que Serra teve a partir dessa data entre os internautas outros fatores, não levados em consideração, precisam ser lembrados.  
O primeiro deles foi o desempenho de Dilma no primeiro debate no segundo turno, o da Band, em que confrontou e calou Serra com Paulo Preto.
O segundo foi a revelação, após esse debate, de que a esposa de Serra, Mônica - que no primeiro turno fizera uma fala no interior do Rio relacionando Dilma à morte de criancinhas em abortos - teria dito a alunas em sala de aula que também fizera um aborto.  Essa revelação veio através do Facebook e não ganhou tanta repercussão em outras mídias quanto na Internet - certamente influenciou bastante os eleitores religiosos e internautas que se depararam com a hipocrisia em pessoa.
E, por fim, o #bolinhadepapelgate teve impacto quase que único na Internet, quando as versões apresentadas por Serra e pela TV Globo para o episódio iam sendo, uma a uma, desconstruídas pelos internautas.
Talvez fosse esperar muito que Ibope e a velha mídia fizessem essa leitura.

É hora de perder a paciência: Funarte ocupada em São Paulo

Do UOL






Militantes ligados a coletivos de arte que ocuparam a sede da Funarte (Fundação Nacional de Arte), órgão do Ministério da Cultura (MinC), no centro de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (25), decidiram, em assembleia, passar a noite no local. Os trabalhadores protestam contra a política cultural do governo federal, exigem a votação das PECs (Proposta de Emenda à Constituição) 236 e 150 que tramitam no Congresso e defendem o descontingenciamento do orçamento da pasta.
Segundo Luciano Carvalho, integrante do coletivo teatral Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, que atua na periferia da zona leste de São Paulo, cerca de 700 manifestantes participaram do protesto e 500 deles pretendem passar a noite na Funarte. “Vamos ficar aqui até amanhã, pelo menos, quando faremos uma nova assembleia. Até lá, vamos impedir a realização da programação que estava prevista. Esta é a primeira de uma série de ações que vamos fazer”, afirmou.
A PEC 236 prevê a inclusão da cultura como direito social, assim como a educação, a saúde, a moradia, o trabalho, entre outros. Já a PEC 150 determina que 2% do orçamento da União seja destinado à Cultura, conforme orientação da ONU (Organização das Nações Unidas) no documento “Agenda 21 da Cultura”.
O orçamento do MinC previsto para 2011 era de R$ 2,2 bilhões (0,2% do total), mas com os cortes do governo federal caiu para R$ 800 milhões (0,06%). “Os cortes congelaram uma série de editais lançados no início do ano e paralisou o trabalho do ministério. É como se o salário dos que trabalham com arte tivesse sido cortado”, disse Carvalho.

Lei Rouanet

A categoria critica a Lei Rouanet, que prevê isenções fiscais a empresas que investirem em cultura --mecanismo semelhante ao utilizado pela Prefeitura de São Paulo para deixar de recolher R$ 420 milhões em impostos do Corinthians na construção do Itaquerão para a Copa do Mundo. Segundo a categoria, a lei privatiza o financiamento da cultura, ao permitir que as empresas, e não o Estado, decida o destino do dinheiro público da isenção fiscal.
"É esse discurso que confunde política para agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação pública com  transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda doado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal --em leis como a Lei Rouanet-- os governos transferiram a administração de dinheiro público destinado à produção cultural para as mãos das empresas", afirma categoria em manifesto que circulou na web.
Como contrapartida à Lei Rouanet, os trabalhadores da arte defendem a aprovação, no Congresso, do Prêmio de Teatro Brasileiro, uma lei que prevê a criação de editais para financiamento público de projetos artísticos, nos moldes da lei municipal de Fomento ao Teatro, aprovada em 2002 na capital paulista. “São editais com regras claras, transparentes, com seleção e distribuição dos recursos públicos de forma democrática”, diz Luciano Carvalho.
O ato começou na avenida São João, que fica embaixo do elevado Costa e Silva, em frente a um casarão abandonado conhecido como "Castelinho". De lá, os manifestantes seguiram até a Funarte, que fica na alameda Nothmann. Segundo os grupos que integram a mobilização, o protesto foi organizado após uma série de plenárias. A convocação foi feita via redes sociais da web, como o Twitter, onde os apoiadores propagandearam o evento com a hashtag #CulturaJa.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o MinC afirmou que está aberto ao diálogo com a categoria e disse que está esperando que os manifestantes enviem à pasta a lista de reivindicações para se posicionar. De acordo com Luciano Carvalho, as reivindicações da categoria estão no manifesto divulgado na internet.
O coletivo que ocupa a Funarte em São Paulo mantém no ar um blog, em que convoca o apoio de todos, pois É hora de perder a paciência:




Venha ocupar a Funarte conosco!
E já que a casa é nossa, alguns grupos amanhecem esta terça-feira, dia 26, já ensaiando por aqui. Traga o seu coletivo para ocupar: transfira para cá os ensaios e trabalhos! Há bastante espaço! Abrimos as portas da Funarte! O MTC segue na luta por tempo indeterminado! Assembléia às 09:00 horas!
Não se engane! Não estamos fazendo aqui uma ocupação estética estática.
O MinC, por meio da Funarte SP, tomou conosco uma atitude de democracia hipócrita: abriu as portas da casa para os trabalhadores da cultura até quinta-feira, mas com intenção de neutralizar nosso discurso.
Isso para dar a impressão de que queremos apenas fazer barulho, sem mostrar o que vem ocorrendo com a política de verbas para a Cultura.
Da mesma forma hipócrita, a Funarte liberou uma pequena verba de R$ 100 milhões semana passada; para dizer que há muito dinheiro quando na verdade o dinheiro vem sendo cortado drasticamente. Pior: tratava-se de rebarba do orçamento do ano passado.
A verdade é que dois terços da verba federal para Cultura foi cortada. Exigimos aprovação da PEC 150. Ela garante que o mínimo de 2% do orçamento geral da União seja destinado à Cultura.
Exigimos também a aprovação da PEC 236. Ela prevê a Cultura como direito social.
Aproveitamos então o tão singelo abrir dessas portas e estendemos o convite para todos os artistas, todos os trabalhadores da cultura:
Junte seu grupo e mostre a todos os governos que sabe o que quer!
Arte pública com dinheiro público!
Fim do engôdo chamado incentivo cultural via isenção fiscal!
Por políticas culturais estruturantes!
Cultura não é mercadoria!
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