2 de outubro de 2011

Eliana Calmon, a rebelde

Por Alisson Almeida

Em tom pejorativo, matéria da Folha de S. Paulo classifica a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, como “rebelde”. Na semana passada, num ato corajoso, ela afirmou que há ”bandidos atrás das toga“, numa referência à corrupção no Judiciário.

A declaração desagradou o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cezar Peluso, que leu uma nota, assinada por ele e mais 11 conselheiros do CNJ, classificando a denúncia da conselheira Eliana Calmon como “acusações levianas” que “lançam, sem prova, dúvidas sobre a honra de milhares de juízes”.

Três dias depois, seis membros do CNJ redigiram outra nota esclarecendo que haviam se posicionado “contra as declarações desastradas da corregedora e não contra a competência do CNJ”.

Peluso defende, na prática, a imposição de limites à atuação do Conselho Nacional de Justiça, responsável pela fiscalização dos Judiciário. Para o presidente do CNJ, o juiz só deve ser investigado pela corregedoria do Estado, não pelo CNJ. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) ingressou com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra uma resolução que aumentou os poderes e a abrangência do conselho sobre processos administrativos contra os “bandidos de toga”.

A conselheira Eliana Calmon disse que a Adin é o “primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.

Voltando à matéria da Folha, não sei como o jornal não tascou um “subversiva” para designar Eliana Calmon. Para um veículo que já publicou como verdadeira uma ficha falsa da presidenta Dilma Rousseff, isso seria – com perdão do trocadilho – fichinha.

Jô Soares, o vídeo

Futuro do jornalismo

Por Antonio Martins

No momento em que lançamos um novo programa para ampliar nossa rede de colaboradores, queremos compartilhar um pouco mais profundamente nossas visões sobre os rumos do jornalismo, na era das redes. Pensamos que a comunicação comercial de massas deixou, por diversas razões, de cumprir o papel destacado que desempenhava na democracia – também ela em crise, aliás. Porém, imaginamos que este papel – examinar e relatar realidades sociais complexas, de modo compreensível e atraente, no tempo em que ainda é possível interferir sobre o desfecho dos acontecimentos – pode ser exercido por outros atores.

Acreditamos na força da comunicação compartilhada. Se o futuro da internet está em aberto e em disputa (esta é uma das encruzilhadas mais importantes de nossa época…), é porque a rede foi apropriada, também, pelo ser humano, em seu desejo de multiplicar conexões diretas, sem a intermediação de grandes estruturas empresariais ou burocráticas. Esta libertação se dá em múltiplos terrenos. Nas comunicações, está ruindo a crença castradora que associava “verdade” ao que “saiu no jornal” – e, portanto, elevava um pequeno oligopólio de empresas à condição de narradoras exclusivas de nosso presente.

Todos podemos assumir este papel. O universo de informações que circula na internet é infinitamente mais vasto e mais rico do que o que está nas tevês, revistas e jornais. Os blogs e redes sociais revalorizaram a narrativa sobre a vida social. Mas foram muito além disso. Tornou-se possível encontrar, na rede, informação relevante sobre qualquer tema com peso na construção do futuro coletivo. Do novo Código Florestal brasileiro às descobertas e polêmicas sobre a velocidade dos neutrinos. Das alternativas diante da crise financeira internacional à discussão sobre o que fazer com as reservas de petróleo brasileiras no pré-sal. Do questionamento às patentes farmacêuticas à multiplicação de iniciativas ligadas à cultura das periferias, ou aos coletivos voltados à arte questionadora.

Neste universo ultra-expandido, o jornalismo precisa encontrar um novo sentido. Já não lhe cabe nenhuma exclusividade na narração da vida. Mas ele pode articular a informação disponível – reunindo, reprocessando e valorizando a infinidade de dados que circulam pela rede e passam quase sempre despercebidos.

Num mundo de tempos cada vez mais exíguos, os seres humanos não podem conhecer sequer uma ínfima fração das novas informações disponíveis. Surge o conhecido paradoxo do caos comunicativo. Há hiperabundância de dados sobre todos os fatos – porém, é cada vez mais difícil estabelecer bases comuns para dialogar e interferir sobre eles.

Um novo jornalismo não terá a pretensão de organizar este universo infinito e em permanente expansão – mas, sim, pode oferecer narrativas capazes de sensibilizar e dialogar com públicos específicos. Outras Palavras quer cumprir um papel neste cenário.

#OccupyWallStreet se espalha




Um grupo de ativistas se reuniu neste sábado (01/10) em Washington para levar à capital norte-americana os protestos contra Wall Street e o Congresso daquele país, que começaram em Nova York e estão se espalhando para outras cidades.

"Pedimos a detenção do presidente do Federal Reserve (Banco Central), Ben Bernanke, por todo dinheiro que ele usou dos cidadãos para salvar os bancos", disse um veterano ativista que usou um codinome para se identificar.

As manifestações demonstram a insatisfação de grupos importantes para a reeleição de Barack Obama: jovens, minorias étnicas, sindicatos e mulheres.

Nesta sexta, em Massachusetts, a polícia deteve 12 pessoas entre três mil manifestantes que ocuparam por alguns instantes escritórios do Bank of America, em Boston. Os protestantes declararam solidariedade às centenas de pessoas que ocupam um parque em Manhattan para reclamar contra o socorro do sistema financeiro do país.

Em San Francisco, centenas de pessoas também se uniram ao movimento, chamado de Occupy Wall Street, e protestaram em frente aos escritórios de uma filial do Chase Bank. Seis foram detidos.

"O governo inteiro deveria fechar. O Congresso quer cortar os fundos do seguro social. Isso não são privilégios, são um direito do povo", afirmou um ativista.

A diretora de uma organização civil em Boston, Rachel LaForest, disse que as manifestações são contra "a avareza e os empréstimos usurários dos bancos e o aumento das execuções hipotecárias nas comunidades urbanas".

O presidente da central sindical norte-americana, Richard Trumka, afirmou que "Wall Street está fora de controle e às vezes o único recurso é protestar na rua".

O dirigente estará na próxima semana em Washington para se reunir com democratas e líderes políticos para discutir a elaboração das diretrizes do grupo "American dream", aliança de organizações progressistas que pretende se opor ao conservador movimento "Tea Party".

#ForaMicarla: Joel Dias ou Luís Carlos?


Em reação ao post em que comentei o Encontro Estadual dos Verdes ontem, recebi um comentário.  Juro que não sei de quem.  O autor assinou como Joel Dias, de um blog da cidade em favor da prefeita.  Mas o perfil que assinou aparece no Blogger como Luís Carlos.
Joel Dias ou Luís Carlos?  Ter um perfil com dois nomes parece indício de quem mantém um personagem na Internet; um fake.  Como já debati na Internet com Joel Dias, espero pela explicação de porquê o perfil dele ter duas assinaturas - ou por que o perfil que mantém o blog de Joel Dias assina como Luís Carlos.
O comentário segue abaixo:


Luis CarlosOct 2, 2011 10:56 AM
Jamais Houve denúncia contra A fundação Hebert Daniel. A prefeita Micarla, tem sua atuação na vida pública marcada pela responsabilidade e honestidade, não tentem macular a idoneidade da pessoa Micarla de Sousa. Essa postagem é irresponsável e mentirosa.
Saudações, JD.

Em primeiro lugar, mantenho a informação que me foi passada sobre a fundação Hebert Daniel em Natal.  Informação que precisa ser explicada pelos verdes.
Sobre o fato de a vida pública da prefeita ser marcada pela responsabilidade e honestidade, considero que nem preciso responder.  No mínimo os indícios levantados pela CEI dos Contratos e a ação de improbidade contra ela por causa do contrato do Novotel demonstram a visão enviesada de Joel Dias/Luís Carlos.

O legado de Paulo Freire


O pernambucano Paulo Freire, que revolucionou a educação criando um eficiente método para alfabetização de adultos teria completando 90 anos em 19 de setembro. No país que tem um dos piores indicadores educacionais da América, a data foi lembrada nos ciclos acadêmicos do sul mas quase passou despercebida no Nordeste. Paulo Freire morreu em 1997. Numa das últimas entrevistas que deu e que estão disponíveis no Youtube, ele disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida". Foi reconhecido internacionalmente pela autoria de uma pedagogia crítica, dialógica e transformadora que assume compromisso com a libertação dos oprimidos.
Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação. Segundo a diretora de Gestão do Conhecimento do Instituto Paulo Freire, Ângela Antunes, o reconhecimento dele, fora do campo da pedagogia, demonstra que o seu pensamento também é transdisciplinar e transversal. "A pedagogia é essencialmente uma ciência transversal. Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Ele criou o círculo de cultura como expressão dessa nova pedagogia que não se reduzia à noção simplista de aula", observa.
O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".
Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo.
Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.
Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.
Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.

Educação como prática da liberdade

Na busca do ideal de educação fundamentada na democracia e na tolerância, Paulo Freire fez história. Em pleno século XXI, a proposta do educador brasileiro está presente tanto no legado de suas obras como na atualidade de seu pensamento. Nesta segunda-feira (19/9), Paulo Freire completaria 90 anos. Comemorações do seu nascimento acontecem desde o início do ano em todo o país.
Internacionalmente respeitado, os livros do educador foram traduzidos em mais de 20 línguas. No Brasil, tornou-se um clássico, obrigatório para qualquer estudante de pedagogia ou pesquisador de educação. Detentor de pelo menos 40 títulos honoris causa (por universidades a pessoas consideradas notáveis), Freire recebeu prêmios como Educação para a Paz (Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (Organização dos Estados Americanos, 1992).
"Defendo a educação desocultadora de verdades. Educando e educadores funcionando como sujeitos para desvendar o mundo", dizia Freire. A educação como prática da liberdade, defendida por ele, enxerga o educando como sujeito da história, tendo o diálogo e a troca como traço essencial no desenvolvimento da consciência crítica.
Uma pesquisa sobre o educador feita em escolas públicas de São Paulo a partir dos anos 90, pela Cátedra Paulo Freire (PUC-SP), constatou que aquelas baseadas em gestões democráticas são as que mais se aproximam do pensamento freireano. "Suas reflexões servem de base para discutir os desafios do mundo", afirma a coordenadora da Cátedra, Ana Maria Saul, que trabalhou com o educador entre 1980 e 1997.
Freire se mantém presente também na universidade. Uma consulta na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) revela que entre 1987 e o ano passado, 1.441 pesquisas tiveram como referencial o educador - 75% na área das ciências humanas, 19% na biológicas e 6% na exatas. "Esses números, que têm crescido a cada ano, e a diversidade de áreas mostram como é fértil a reflexão de Paulo", aponta Ana Maria.

#ForaMicarla Os verdes e a tartaruga

O PV realizou seu encontro estadual ontem, no América.  O evento foi prestigiado por lideranças políticas que juram independência ou oposição à gestão municipal, mas que estavam lá, como o ministro Garibaldi Filho (PMDB) para defender aliança de seus partidos com o PV.
Micarla teve o nome lançado à reeleição.  Contou com a adesão imediata do PP do vice-prefeito Paulinho Freire.  O encontro foi realizado com recursos Herbert Daniel, ligada ao PV.  Há denúncias de que essa fundação, no tempo em que a prefeita era deputada estadual, era usada como laranja para financiar os eventos partidários: o mandato repassava recursos para a Herbert Daniel que voltavam na organização das atividades.  Portanto, olho no Diário Oficial dos últimos dias e das próximas semanas.  Quem sabe a gente não encontra algum convênio com a fundação para financiar o encontro dos verdes?
Além da denúncia de que 28 servidores da Semtas foram obrigados a se filiar ao partido.
Na nova campanha, Micarla apostará no discurso conservador.  Após sua conversão, garantiu "palanque" nas igrejas evangélicas da cidade - onde já está indo, principalmente, nas periferias.  Construirá parte de seu eleitorado, assim, entre os cerca de 20% de evangélicos da cidade.
O certo é que, ainda assim, será para a prefeita uma campanha difícil.  Afinal, trata-se de alguém que igualou sua gestão à tartaruga que ilustrava, em alguns momentos, o palco de seu encontro estadual.
(A foto em que Micarla aparecia ao lado de uma tartaruga sumiu da Internet)

A UNE e a pauta da educação pública

Por Daniel Iliescu
Na Folha de São Paulo

Dentre as organizações sociais brasileiras, o movimento estudantil é, a um só tempo, a mais tradicional e a mais renovada. Aproximando-se dos seus 75 anos, a União Nacional dos Estudantes (UNE) chega à segunda década deste século consciente dos temas realmente prioritários para o presente e para o futuro das pessoas e do país. Em artigo publicado nesta Folha no último domingo, o companheiro do Centro Acadêmico XXII de Agosto da PUC-SP elogia o histórico de lutas da UNE e sua importância para a democracia brasileira. No entanto, diz ser necessário que a entidade "retome para si a responsabilidade de lutar pelas causas nacionais, no geral, e pela melhoria do ensino, em particular". Não há como entender a crítica do colega de lutas no ano em que promovemos uma enorme mobilização em defesa da educação pública: a reivindicação da destinação ao setor de 10% do PIB e de 50% do fundo social do pré-sal. Esse foi o tema do 52º Congresso da UNE, em julho, cujo processo eleitoral envolveu mais de 1,6 milhão de estudantes, de 97% das universidades do país e perfis diversos, filiados ou não a partidos políticos. Também foi o mote das manifestações e atos públicos do Agosto Verde e Amarelo. Foi ainda sob a mesma pauta que se deu a Marcha dos Estudantes, no dia 31 do mesmo mês, com 12 mil jovens em Brasília. As reivindicações da UNE são fruto do debate plural e amadurecido da entidade. Há consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade de ajustes no Plano Nacional de Educação (PNE), que deverá ser votado pelo Congresso nos próximos meses e que sugere ampliação dos investimentos públicos no setor para apenas 7% do PIB até 2014. Esse percentual é insuficiente. Os investimentos defendidos pela UNE serão cruciais para erradicar o analfabetismo, melhorar a estrutura e a qualidade das escolas, aumentar o salário dos professores, alcançar um ensino de excelência tanto nas metrópoles quanto nas zonas rurais, promover o esporte e a cultura no ambiente escolar, além de democratizar o acesso e ampliar o investimento na universidade. O movimento estudantil brasileiro sabe que essa é a verdadeira prioridade. Investir mais na educação é o único caminho para superar problemas históricos, combater a desigualdade, distribuir renda, gerar conhecimento, vencer a pobreza e os preconceitos de todos os tipos, atacar a corrupção, valorizar a política e a ética em todas as relações. No último dia 7, a UNE divulgou carta aos estudantes. O documento pede a aprovação da reforma política ampla, que fortaleça a democracia e a participação popular e combata a corrupção e o privilégio de poucos. Aliás, combater a corrupção é um processo permanente, só efetivo com a educação do povo. Ciente de sua responsabilidade histórica com o Brasil, a UNE agora amplia sua campanha lançando um abaixo-assinado em seu site ( www.une.org.br ) pedindo a contribuição dos milhões de brasileiras e brasileiros na reivindicação dos 10% do PIB e dos 50% do fundo social do pré-sal para a educação. Convidamos as organizações e cada cidadão em particular para ajudar no recolhimento de assinaturas e fazer parte desse movimento.