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30 de setembro de 2014

Jornal de Hoje, o código de ética dos jornalistas e a "apologia ao homossexualismo"

Um dos problemas do sistema de comunicação brasileiro é que, por ausência de um Conselho regulador da profissão de jornalista, seu código de ética prevê, como sanção máxima, a expulsão do sindicato (para quem for sindicalizado) ou o impedimento de se sindicalizar (para quem não for). Ou seja: sanção nenhuma na prática.
Enquanto a OAB, o CREA ou o CRM pode impedir o exercício profissional de quem fere seus códigos de ética, no jornalismo ninguém deixa de ser jornalista se desrespeitar o código.  Aliás, duvido que a maior dos colegas conheça o nosso código.
Está em vigor o Código de Ética que foi aprovado no Congresso Nacional de Jornalistas em Vitória (ES), em agosto de 2007.
Ali se leem os trechos que cito abaixo:

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos,
deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta
divulgação.
...
Art. 6º É dever do jornalista:
I - opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;

XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Certamente, foi o que faltou ao texto de Ana Carolina Wanderley de Souza, publicado em O Jornal de Hoje de ontem, e denunciado no Facebook pelo professor Jo Fagner, da UFRN.

21 de outubro de 2013

Rede de pesquisa em folkcomunicação divulga nota em apoio à permuta de professores

Desde já agradeço o apoio público por meio de nota por parte da Folkcom. Reproduzo a nota abaixo.
Em novembro de 2012 eu e a professora Maria Erica de Oliveira Lima, da UFRN, ingressamos com um pleito de permuta. Enquanto meu processo foi aprovado por todas as instâncias da UFRN, na UFC a negativa levou à judicialização da questão. A decisão, agora, caberá à Justiça Federal.
Uma pena que o caso chegue a esse nível, com tantos prejuízos familiares e pessoais.

***

 

A Diretoria da Rede de Estudos e Pesquisa emFolkcomunicação (Rede Folkcom) vem a público manifestar apoio à professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Maria Érica de Oliveira Lima, jornalista profissional e de formação acadêmica na área, pesquisadora com reconhecida trajetória em estudos de Jornalismo e relevante contribuição ao campo da pesquisa em Comunicação, em especial no campo dafolkcomunicação (campo teórico produzido pelo brasileiro/pernambucano Luiz Beltrão e que muito singulariza as Ciências da Comunicação desenvolvidas no Brasil diante da comunidade científica internacional). A professora reivindica o direito à permuta docente com o professor Daniel Dantas Lemos, da Universidade Federal do Ceará, com respaldo na Lei 8.112, que dispõe sobre o Regimento Jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Contudo, ainda que os professores sejam jornalistas, doutores e docentes de Jornalismo, o processo de permuta entre os referidos professores das duas instituições tem sido negado até o momento, embora ambos tenham o direito e a garantia de fazer este legítimo requerimento.

Em especial no caso da professora Maria Érica de Oliveira Lima, temos a declarar que trata-se de uma professora que, a partir de seu trabalho na UFRN, vem colaborando decisivamente para a inclusão de novos pesquisadores e o desenvolvimento desta rede de pesquisa nacional, hoje em processo de internacionalização, com importantes reflexos na carreira acadêmica de seus pares e nos cursos de graduação e nos programas de pós-graduação aos quais estão vinculados. Neste sentido é que acreditamos que o Curso de Comunicação da UFC – considerando professores, alunos e servidores técnicos – certamente terá a ganhar com a presença de uma professora que tem realizado respeitável trabalho de ensino (de graduação e de pós-graduação) e pesquisa na UFRN e igualmente demonstrado intensa disposição a colaborar academicamente com seus pares de outras universidades, o que nos dias de hoje é condição das mais relevantes para o desenvolvimento do ensino de graduação e de pós-graduação na universidade brasileira.

Pelo presente, a diretoria da Rede Folkcom, muito respeitosamente, vem solicitar que o Departamento de Jornalismo da UFC reavalie com serenidade o processo de permuta entre os docentes da área, por abrir possibilidade de garantir que os referidos professores – dentro do amparo legal – possam se integrar aos quadros das respectivas IES, sem qualquer tipo de prejuízo às instituições de origem e, da mesma forma, tenham o esperado ambiente de trabalho para desenvolver suas pesquisas e apoiar ações que visam contribuir com a qualidade dos cursos de graduação e dos programas de pós -graduação nas duas instituições.

Gostaríamos que compreendessem que a manifestação desta entidade científica, de ampla representatividade nacional, não significa qualquer tipo de intervenção externa à comunidade acadêmica da UFC, mas uma cordial solicitação de colegas e pares em âmbito nacional que, por conhecerem o trabalho e o histórico dos citados professores, sentem-se motivados a encaminhar a presente solicitação, na expectativa de que se reconheça a permuta docente como uma decisão justa por parte das instituições envolvidas.

Ficamos à disposição para quaisquer informações que se fizerem necessárias.

 

Respeitosamente,

 

 

 

 

 

 

Karina Janz Woitowicz

Jornalista. Professora do Curso de Comunicação e do Mestrado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/Paraná). Presidente em exercício da Rede Folkcom.

Contato: karinajw@hotmail.com

 

 

 

Yuji Gushiken

Jornalista e profissional de relações-públicas. Professor do Curso de Comunicação Social e do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).  Diretor científico da Rede Folkcom.

Contatoyug@uol.com.br

 

 

 

 

 

Guilherme Moreira Fernandes

Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Diretor administrativo da Rede Folkcom.

Contato: gui_kid@yahoo.com.br

 

 

 

 

 

Júnia Mara D. Martins

Publicitária e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Secretária-geral da Rede Folkcom.

Contato: juniamartins@hotmail.com

 

 

 

  

 

 

Iury Parente Aragão

Jornalista e doutorando em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Diretor financeiro da Rede Folkcom.

Contato: iparagao@yahoo.com.br

 

 

Em 18 de outubro de 2013.

23 de maio de 2013

#RevoltadoBusao: UFRN divulga nota "em defesa da democracia e da autonomia universitária"

Como o G1 não noticiou que a PM ingressou na assembleia da #RevoltadoBusao na sexta-feira passada, a nota da UFRN divulgada nesta quarta ficou parecendo desconexa.  A manchete comprova isso: "UFRN não admite ação indiscriminada de forças policiais".  Na nota, a frase tem um complemento: "no espaço universitário".  Como o G1 poderia dar essa manchete assim se ele não informou a invasão da PM na UFRN?
Mas sim: a UFRN reagiu contra a repressão violenta da polícia contra seus estudantes ao mesmo tempo em que deixou claro que não permite que a Polícia Militar adentre em seu território como aconteceu na última semana.  Ainda mais quando o motivo é intimidar e/ou monitorar os estudantes.

Veja a nota da UFRN:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

A UFRN tem como missão institucional assegurar a formação plena dos seus alunos, através da melhoria constante do ensino, da pesquisa e da extensão. A formação acadêmica dos nossos alunos objetiva fomentar, como partes indissociáveis, competências técnico-científicas e profissionais de alto nível e habilidades ético-políticas. Tais atributos são indispensáveis para a sua atuação como cidadãos ativos que contribuam para o desenvolvimento econômico e social e para a defesa e a ampliação da justiça social e da democracia na sociedade brasileira.

Diante dos últimos acontecimentos, a UFRN vem manifestar publicamente preocupação com o tratamento dado aos movimentos reivindicatórios dos estudantes natalenses, em especial à violência sofrida por estudantes da UFRN.

É próprio da democracia encontrar formas civilizadas e solução negociada para as divergências e os conflitos de interesses entre os diferentes grupos e atores sociais. A democracia é o ambiente apropriado para que a sociedade civil e os movimentos sociais possam expressar livremente suas aspirações e reivindicações e para que os governantes e demais autoridades constituídas busquem soluções negociadas entre as partes envolvidas e o respeito aos interesses do conjunto da sociedade.

Frente aos relatos do uso desproporcional da violência pelas forças policiais contra as manifestações dos estudantes, a UFRN soma-se a outras importantes instituições democráticas da sociedade norte-riograndense na expectativa de que as autoridades competentes tomem todas as medidas cabíveis para a apuração dos fatos. A necessária preservação da ordem pública deve ser alcançada através do diálogo e prescindir do uso da violência, observando o respeito ao exercício irrestrito e harmonioso do conjunto das liberdades democráticas por todos os cidadãos.

Neste momento, também, a UFRN esclarece que não admite e nunca admitiu a ação indiscriminada de forças policiais no espaço universitário, pois a defesa da integridade física do seu espaço territorial é indispensável ao exercício da autonomia universitária, condição elementar para assegurar a liberdade para o funcionamento pleno das atividades acadêmicas que são regularmente desenvolvidas pela comunidade universitária.

Natal, 22 de maio de 2013.

Ângela Maria Paiva Cruz
Reitora

8 de fevereiro de 2013

Diretor confirma edição de "material bruto" e TVU se desconfigura como TV pública

O Brasil carece, no seu processo de democratização, de um jornalismo público de qualidade.  Esse aspecto ainda é uma pendência histórica da nossa nação.
Por isso mesmo, imaginar a história da censura de conteúdo empreendida na TV Universitária da UFRN era inacreditável.  Republiquei o texto da Carta Potiguar aqui e do professor Ruy Alkmim aqui.
Confesso que estava esperando, a qualquer momento, que a UFRN ou a TVU viessem a público desmentir o fato relatado.  Qual foi o fato?
Uma repórter da TVU perguntou à secretária de educação do estado, Betânia Ramalho - que é professora da instituição -, sobre carga horária dos professores.  A pauta versava, entre outros temas, sobre tempo de leitura/preparo para os docentes.  Betânia se irritou e prometeu ligar para a reitora.
O resultado é que a matéria foi reeditada pela TVU excluindo aqui que constrangia a secretária.
Tinha de ser mentira.
É inimaginável que uma TV pública, ligada a uma universidade federal, se preste ao papel de ceder à pressão política de reitora ou secretária.  Os alunos devem aprender a fazer jornalismo?  Como será possível se é assim que se comporta a emissora da Universidade que os forma?
Eu esperava que fosse mentira.
No entanto, pela manhã, em sua página do Facebook, Marcone Maffezzolli, diretor da TVU, divulgou uma nota, segundo ele, encaminhada para a Carta Potiguar:
Considerando o texto publicado no site Carta Potiguar, seguem os seguintes esclarecimentos:
1- Em nenhum momento a direção da TV Universitária recebeu qualquer determinação superior para suprimir ou distorcer a matéria em questão;
2- A matéria foi ao ar sem nenhum prejuízo de informação, após passar por um processo de edição rotineiro e condizente com as rotinas jornalísticas;
3 – Faz parte das práticas do telejornalismo que todo “material bruto” passe por um processo de edição;
4 - Não houve e não há censura ao trabalho jornalístico da TV Universitária;
5 – A TVU valoriza e preza a autonomia editorial do telejornalismo, posicionando-se intransigentemente contra a qualquer forma de cerceamento.
Diante do exposto, ratificamos nosso compromisso com um trabalho jornalístico pautado pelos princípios de uma comunicação pública voltada para a cidadania e o fortalecimento da democracia.
Marcone Maffezzolli
Diretor da TV Universitária
Passei seis anos de minha vida redigindo notas na Petrobras que respondiam sem comprometer a empresa.  Aprendi a reconhecer tais notas.
O que de mais importante foi dito por Maffezzolli é que a matéria foi sim "mexida", como "material bruto" - o item 3 da nota do diretor é, a meu ver, o mais importante.
Ninguém estava falando em rotina de produção jornalística - falava-se sobre uma entrevistada, professora da instituição e representante do executivo estadual que irritada, reclamou à reitora da UFRN.  "Por coincidência", o trecho reclamado à repórter com ameaça de busca à reitora foi suprimido na edição.
Uma pena ver isso acontecer à UFRN e à TVU.
Betânia é a mesma secretária que disse, tempos atrás, que a Universidade nada tinha a contribuir para melhorar as condições da educação no RN.
Não sei de que lado tem mais despreparo.
Mas a questão não é só de despreparo.
A palavra é autoritarismo mesmo.  Que não combina com o espírito universitário.
Autoritarismo que, ao mesmo tempo, desconfigura a TVU como televisão pública.  Ela se parece cada vez mais com uma emissora corporativa.  E só.

TV Universitária é acusada de censurar matéria em benefício de secretária de educação do estado

A se confirmar a história, ela tem elementos do mais absoluto nonsense.  Se seria absurdo uma ação deliberada de censura em qualquer veículo de imprensa, muito menos sentido faz ver isso acontecer em uma emissora de TV Pública.

Por Daniel Menezes
Na Carta Potiguar

A secretária de educação do RN, Betânia Ramalho, recebeu uma ligação. Uma jornalista da TV Universitária do outro lado da linha.

Perguntas nada convenientes… para aquela que também é professora da UFRN.

A herdeira de Gutemberg fez uma indagação considerada inapropriada, sobretudo, num estado em que a imprensa não tem a combatividade como o seu forte.

A questão dizia respeito às supostas irregularidades na jornada de trabalho dos professores estaduais. Conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (SINTE), na terra de Poti a lei federal 11.738/2008 está sendo descumprida pela SEEC.

Resposta: “não dô entrevista por telefone”, disse a secretária.

Após a insistência da jornalista, mais um recado da representante do governo: “não falo mais sobre o assunto”, acompanhado da ameaça de contactar a reitora da UFRN para enredar o acontecido, algo típico dos praticantes do “você sabe com quem está falando?!” Ou do: “se ponha no seu lugar!”.

A repórter relatou tudo na matéria, mas a TV retirou a narração do ocorrido e todas as menções ao governo.

Do embrólio, fundamental para compreender como se processam as relações de poder no governo, na interação Estado-Sociedade-Imprensa, no nosso cotidiano, restou um parco trecho da fala da coordenadora geral Fátima Cardoso.

A citada TV Pública deve se manifestar.

2 de novembro de 2012

Nota oficial da Ocupação da Reitoria da UFRN

"Você se sente confortável sabendo que os espaços de sociabilidade na universidade, seu ambiente de estudo e trabalho, são regulados pela presença de seguranças armados?
Como você se sente quando entra na biblioteca e se depara com armas antes de livros? A presença de um segurança armado na porta do RU (restaurante universitário) visa conter uma multidão de famintos a procura de comida?
E quando esse segurança saca a arma? E quando ele atira?
Esse é o nosso cotidiano: “seguranças” armados impedem a livre circulação de estudantes na escola de C&T; “seguranças” se recusam a identificar-se quando flagrados filmando escondidos um grupo de estudantes no setor II; “seguranças” sacam armas contra alunos no CB; um “segurança” é mobilizado para interditar o acesso de uma transmulher a um banheiro feminino no DEART; um “segurança” atira contra um grupo de estudantes durante uma festa no CCHLA, SEGURANÇA... SEGURANÇA... SEGURANÇA...
A reitoria se utiliza dessa estrutura de “segurança” e de sua maquina administrativa para intimidar os estudantes e professores que denunciam as irregularidades políticas na Universidade, dessa maneira silenciando as possibilidades de crítica e de participação política na gestão da UFRN.
Como você se sente diante disso?
Nós, que estamos ocupando a sala de reuniões da Reitoria da UFRN desde ontem (30/10/2012), entendemos que essa política de segurança traz, em si, riscos incomensuráveis à vida e enormes desperdícios de recursos. Conforme publicação no Portal da Transparência, a UFRN destina anualmente R$25.713.895,08 à manutenção de um pequeno exército de seguranças privados – sem nenhum tipo de orientação humanística sobre como realizar seu trabalho – ocupados em defender a propriedade em detrimento da vida. Eles estão autorizados a sacar suas armas e até mesmo dispará-las contra qualquer um que julguem, conforme seus precários critérios, uma ameaça.
Diante da atual situação levantamos a urgência da discussão e reflexão das seguintes pautas :
1. Desarmamento de Seguranças nas áreas de sociabilidade da universidade em horário de atividade acadêmica.
2. Revogação de contrato com a empresa GARRA .
3. Capacitação profissional através da formação política e humanística junto ao grupo Tirésias( Núcleo interdisciplinar em estudos em diversidade sexual, gênero e direitos humanos da UFRN)
4. Ampla participação dos estudantes nas políticas de segurança da universidade.
5. Pelo fim das perseguições políticas e garantia da liberdade de expressão e real democracia na Universidade.
Assim, convidamos aqueles que queiram somar com a ocupação dos estudantes para discutimos sobre “SEGURANÇA” NO CAMPUS.
LOCAL: PÁTIO DA REITORIA

29 de outubro de 2012

Idade Média: Internação de estudante crítico gera reações contra a UFRN

Segundo informações que circulam no grupo do Facebook da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o estudante universitário Tiago Souto foi internado no Hospital Psiquiátrico João Machado.

Tiago, mestrando em Ciências Sociais, foi vítima, no fim de setembro, de um disparo efetuado (não foi Tiago que levou o tiro, mas estava no local) por um segurança do Campus - porque foi pedir água no Restaurante Universitário após o "horário permitido". Sobre o tema, publicou este texto.

Os relatos dão conta que Tiago vinha cobrando providências da UFRN, exigindo que a empresa contratada, responsável pelo profissional que efetuou o disparo, fosse afastada. A Universidade fez pressão junto à família do estudante, sugerindo que fosse internado.

Tiago planejava, com outros, uma ocupação da reitoria em busca de providências.

"Ele mobilizou um pequeno ato contra a militarização da Univerisdade e pretendia ocupar a reitoria. Não sei dizer quais problemas ele possui, mas a UFRN, através da reitoria, fez a mãe dele, que tem pouca instrução assinar os papéis da internação. Agora o rapaz está dopadíssimo no João Machado", disse um estudante, na rede social.

Inacreditável o episódio como um todo.

Para mim, especialmente imaginar que uma universidade - ainda mais pública - permita que um servidor dispare uma arma de fogo contra um de seus mestrandos sem consequência. E o que já era ruim, fica pior, quando você percebe que a Universidade, lugar de confronto, debate, discussão, promove uma interdição do crítico. Mais que isso: sendo o ambiente propício para debate sobre o tema, o interdita no pior formato possível: nomeando o crítico como louco e o internando em um manicômio. A UFRN, pelo visto, recuou séculos na história do pensamento humano.

Pior: enganando uma mãe de pouca instrução.

Terrível. Inominável situação.

UFRN: Internação é das piores formas de interdição do discurso

De um ponto de vista foucaultiano, tinha dito há pouco no twitter em conversa com o professor Thadeu Brandão, o caso do mestrando em Ciências Sociais, Tiago Souto, não teria diferente análise se o sujeito crítico tivesse histórico de internações ou problemas psiquícos motivados por uso de drogas: a internação continuava sendo o pior cenário possível de interdição das vozes críticas.
Recebi há pouco um telefonema dando conta que a própria reitora mobilizou uma solução psiquiátrica para Tiago em virtude de estar se sentindo ameaçada pelo estudante. Nesse relato, há informações de que veículos da segurança privada do campus foram usados para a detenção e transporte de Tiago. E de que o estudante seria reincidente.
Nada disso, como disse, muda o absurdo cenário do episódio.

UFRN: Quatro versões diferentes para o mesmo fato

Até o momento, o primeiro post que publiquei sobre o estudante Tiago Souto é o mais lido do dia. Do momento da publicação até aqui, recebi relatos diferentes que dão conta de quatro versões para o fato.
Evidente que fica, assim, complicado para entendê-lo em suas minúcias.
De todo modo, não muda o enfoque da crítica que é o papel das definições da loucura na interdição do discurso.
A última das versões que recebi dá conta de que a UFRN cortou as bolsas e os apoios a Tiago a pedido da família, para facilitar seu tratamento.
Silêncios e sons.
Essa é a loucura nossa de cada dia. Ela pode ser ampliada se o sujeito que dela é vítima experimenta uma situação traumática contra a qual não viu defesa nem punição consequente.

P.S.: Por causa das versões conflitantes, alterei o título do primeiro texto. Pontualmente, fiz alguns ajustes, mas sem modificar a cerne dos posts.

24 de fevereiro de 2012

E a odisseia do concurso da UFRN continua... e continuará

Finalmente recebi a resposta de meu recurso contra a banca do concurso para professor da UFRN.

Aguardemos cenas posteriores.

23 de fevereiro de 2012

Minha odisseia no concurso da UFRN

Faltando dois meses para a defesa de minha tese de doutorado no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, me submeti ao concurso para professor adjunto de Publicidade e Propaganda da UFRN.
O concurso foi semana passada.  Decidi que faria alguma publicação a respeito apenas se não tivesse qualquer informação sobre o recurso que apresentei ainda na sexta-feira.
Não recebi nenhuma informação - e liguei para o departamento de comunicação, onde ninguém atendeu o telefone.  Portanto, segue o relato.
Mais fácil do que escrever tudo tim-tim por tim-tim, é publicar o texto de meu recurso, apresentado à comissão examinadora do concurso, presidida pelo professor Luís Roberto Del Carratore:


O concurso público para o preenchimento de uma vaga de professor de 3º grau na classe de adjunto, no Departamento de Comunicação Social, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi estabelecido com fundamento no Edital nº 16/2011, assinado pela pró-reitora de Recursos Humanos em Mirian Dantas dos Santos.  Além disso, as Normas de Concurso Público, no âmbito da UFRN, são definidas, inclusive de acordo com o texto do citado edital, pela Resolução do CONSEPE nº 153/2009, de 01 de setembro de 2009, alterada pela Resolução 172/2009- CONSEPE, de 06 de outubro de 2009.Em virtude disso, peço atenção em considerar o recurso que mui respeitosamente interponho contra a banca examinadora do concurso referente, sem prejuízo de outras ações posteriores, de acordo com o que considero a seguir: 1) Considerando o que diz o texto do Edital Nº 16/2011, que prevê, em sua secção 4 (Da aplicação das provas), itens 4.7 e 4.8:
4.7. Em conformidade com os parágrafos 1e 2do Art. 13 do Decreto n6.944, de 21 de agosto de 2009, fica estabelecida a data da realização da defesa de Memorial e Projeto de Atuação Profissional para a entrega da documentação comprobatória das declarações constantes da Ficha de Avaliação da Prova de Títulos, Anexo V da Resolução n153/2009-CONSEPE, de 01 de setembro de 2009, alterada pela Resolução 172/2009- CONSEPE, de 06 de outubro de 2009 exclusivamente pelos candidatos aprovados na prova didática. 
4.8. A defesa de Memorial e Projeto de Atuação Profissional será realizada pelos candidatos aprovados na Prova Didática e a sua ordem de apresentação será definida mediante sorteio no ato da divulgação do resultado da prova didática, seguido de imediata divulgação no quadro de avisos do Departamento Acadêmico ou Unidade Acadêmica Especializada. (com grifo meu) 
 2) Considerando o que dispõe a Resolução do CONSEPE nº 153/2009, de 01 de setembro de 2009, alterada pela Resolução 172/2009- CONSEPE, de 06 de outubro de 2009, no Parágrafo 5º do seu artigo 16 (Capítulo III – Da prova de títulos): 
Art. 16. A prova didática destina-se a avaliar a competência didático-pedagógicado candidato quanto ao domínio do assunto e à adequação da sua abordagemmetodológica, consistindo de aula a ser ministrada perante a CE....§ 5o A CE atribuirá à prova didática nota de 0,00 (zero) a 10,0 (dez), sendodesclassificado o candidato que obtiver nota inferior a 7,0 (sete).(com grifo meu). 
3) Considerando o que mostra o documento abaixo (resultado final do concurso público) que demonstra a minha participação, como candidato, das etapas de Defesa de Memorial e Projeto de Atuação Profissional (com nota 7,33) e Prova de Títulos (com nota 8,75), o que implica minha necessária aprovação na etapa da Prova Didática – ao contrário do que não poderia ter participado das demais fases do certame;



Solicito a retificação e republicação de minha nota com respeito à prova didática, uma vez que a nota publicada (3,77) representaria a minha desclassificação como candidato, e eu não teria podido participar das demais fases do concurso, conforme fiz.

Agora fico aguardando o resultado de meu recurso e o futuro deste concurso - que pode, afinal, ser anulado.